
|
|
 |
| |
Puxa! Quanto tempo! Sei que tenho faltado com meu blog,e com as pessoas que por aqui passam(meu fiel, e querido mauro(saudade)) mas minha vida simplesmente virou de ponta cabeça, e enquanto não conseguir colocar as coisas nos lugares, acho que vai ser complicado vir aqui com frequência.Acabo de me mudar, mudei de emprego (faço agora o que acho que nasci pra fazer, que é dar aulas), mudei de cidade, a única coisa que não mudei foi de amor, que parece que com a distância se revelou, maior e mais forte e consciente de si mesmo(porque amor também é consciência). Engraçado como os caminhos nos levam as vezes a lugares que até então não pensariámos em andar, tenho me perguntado quais são os motivos pelos quais Deus me apresentou esta nova experiência, porque acredito que nada é por acaso e que tudo tem seu motivo, e buscar as razões por certas provações é o caminho pra entender aonde devemos melhorar.Deixo aqui o meu melhor abraço e espero poder voltar o quanto antes a este "nosso" espaço que eu tanto amo.
Escrito por Antonio às 23h59
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |
Talvez se eu fosse poeta conseguiria expor em palavras belas todo o tormento que sinto agora, e assim talvez conseguisse torná-lo mais claro. Deus deve ter seus motivos pra nos colocar sempre em duras provas, mas me pergunto então, onde achar as respostas que procuro se dentro de mim só vejo caos e confusão, e paz de espírito pra mim no momento parece ser artigo de luxo, desses que só pessoas de muitas posses pode ter, me fazendo ver com isso, o quão miserável sou. Tenho que me decidir, meu tempo se esgota e não sei qual caminho ou destino dar a minha vida. Preciso de luz, de paz, de sossego, preciso urgentemente achar uma solução pra meu embate, queria poder ouvir de alguém as palavras certas, dessas que depois de tomada a decisão, não fica nem um resquício de arrependimento ou remorso. Preciso da estrada certa, por mais que caminhe mais perdido me encontro. Parto e deixo minha casa, meu amor, minha vida construída e vou em busca de um antigo sonho, que de certa forma esta virando um pesadelo, pois as coisas estão complicadas, ruins e não saíram do jeito que imaginei ou fico neste emprego que detesto e me faz sentir um merda? Estou completamente sem chão.
Escrito por Antonio às 09h47
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |



 |
| |

Milho de Pipoca (Rubem Braga)
"A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens.O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice, uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos – Dor. Pode ser o fogo de fora: perder um amor, um filho, um amigo ou o emprego. Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, doenças e sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio, uma maneira de apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso, a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pipoca dentro da panela, ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não consegue imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece completamente diferente, como nunca havia sonhado. Piruá é o milho que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão dar alegria para ninguém. Terminando o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo."
Escrito por Antonio às 11h00
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |


 |
| |

Mudanças são tão necessárias quanto assustadoras. Sair do aconchego do conhecido e partir rumo ao invisível e perturbador caminho novo, que se abre e não se mostra (ou talvez se mostre, nós é que tapamos os olhos por medo do monstro imaginário a nossa espreita), e que vai aos poucos nos consumindo e alimentando nosso temor de que algo pode vir a dar errado. Cortar com nossas próprias mãos os cordões umbilicais com os quais vamos nos atando a vida, as pessoas, aos desejos, aos objetivos, é um ato de imensa bravura, pois, como é difícil ter de escolher que atitude, pessoa, caminho, emprego, cidade...devemos seguir, deixando o conforto do que se conhece e indo de encontro ao que não se sabe. Partir, mudar, arriscar, faz parte do crescimento, e crescer dói, mas, é através dessa dor que nos descobrimos e vamos construindo nossa historia e nosso caráter. Mudanças são necessárias ao nosso crescimento e não há problema em sentir medo, que, ao contrário do que muitos pensam, é uma coisa boa, pois, é ele que nos impede de saltarmos no abismo, o que não podemos é deixar é que esse mesmo medo que nos protege, também nos encovarde, porque aí deixamos de seguir em frente e continuar a nossa viagem e começamos a enxergar a culpa de nossa estagnação fora de nós, como se o mundo conspirasse para que nossa vida fosse um marasmo sem objetivos, e nos tornamos amargos e invejosos.O medo nos protege, a covardia nos destrói. O medo tem alguma utilidade, a covardia não.
Escrito por Antonio às 16h14
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |

" Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer; mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. "
Oscar Wilde
Escrito por Antonio às 15h57
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |
Amizade

Amizade, palavra linda, mas que para muitos é apenas sinônimo de doação. Quando fico bravo com algum amigo que pisou na bola, ou mesmo foi desonesto em algum sentido, é pelo motivo que detesto que façam comigo, o que eu jamais faria com alguém que eu considerasse meu amigo. Muitos irão falar que sou radical, que as coisas nem sempre são desta maneira, que as pessoas são diferentes...concordo com tudo isso, o que não justifica aceitar ser tratado por aquela pessoa que considerava importante em minha vida (amigos são a família que nos permitiram escolher), como um mero conhecido ou mesmo alguém descartável, porque isso dói. É duro ver seu amor por aquela pessoa ser tratado como algo fútil e descartável. Relacionar-se é difícil em qualquer circunstância, e começo a acreditar que as pessoas de um modo geral, só se aproximam de outras, não por amizade, mas sim como um mero apoio que só é útil em determinados momentos, esses nos quais que só dizem respeito ao outro, pois, ai de você se não puder servi-lo naquele momento, é como se todo o passado não tivesse existido. Estou cansado, e escrevo isso mais como um desabafo de alguém que já não agüenta mais se sentir útil como um copo plástico, que se usa e joga fora.
Escrito por Antonio às 09h22
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |


 |
| |
O Estatuto do Homem

Estatuto do Homem
Artigo Primeiro Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira. Artigo Segundo Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo. Artigo Terceiro Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança. Artigo Quarto Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu. Parágrafo único O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino. Artigo Quinto Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa. Artigo Sexto Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor. Artigo Sétimo Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura. Artigo Oitavo Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco. Artigo Nono Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã. Artigo Décimo Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único Só uma coisa fica proibida: amar sem amor. Artigo Décimo Primeiro Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais compra o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou. Artigo Final Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso e das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem. (Thiago de Melo)
Santiago do Chile, abril de 1964 dedicado a Carlos Heitor Cony
Escrito por Antonio às 14h21
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |
A Arte de Ser Feliz

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio,ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.E eu olhava para as plantas, para o homem,para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas.Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro.Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta.Às vezes, um avião passa.Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,que estão diante de cada janela,uns dizem que essas coisas não existem,outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
-Cecília Meireles-
Escrito por Antonio às 22h35
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |

Tanto temos falado de amor, mas na verdade o que sabemos sobre entrega, aceitação, união e doação irrestrita e desinteressada, se somos todos tão egoístas no sentido de querer sempre as coisas do nosso jeito ou mesmo por sentirmos uma necessidade latente de modificar as características do outro que outrora nos foram tão charmosas ou serviram como “aquele” elemento que faltava aos demais.Quando nos apaixonamos por alguém, fazemos na verdade uma tentativa de tentar visualizar no outro o reflexo de nós mesmos, talvez porque o que queremos verdadeiramente enxergar seja nossa ideologia de amor, que nada mais é que o nosso próprio eu, esse, que inclusive mascára nossos defeitos em função de tentar construir o ser perfeito fora de nós. Então, se buscamos tanto a perfeição no outro e se essa perfeição não passa de um reflexo de nós mesmos mascarado pela nossa ideologia de amor, não seria então mais fácil abraçarmos o espelho ao invés de ficar tentando modificar aquilo que outrora foi motivo de esperas intermináveis ao redor do telefone que teimava em demorar a tocar, do arrepio, ao ouvir o som da voz se aproximando de nós para um rápido carinho, dos pensamentos intermináveis naquela pessoa que teimava em não sair da nossa cabeça, ou daquele aperto no coração, que aparecia no meio da tarde, e fazia a gente não querer outra coisa naquela hora a não ser estar junto do ser amado. Amor, não é religião, ideologia, crença, salvação ou mesmo apoio. Quando descobrirmos intimamente, que amor nada mais é que “nada”, e que não há esforço, promessa, ou punição que possa modificar o que vai dentro de cada um, talvez aí descubramos o quão “tudo” é poder amar, curtir, sonhar, vibrar e sentir aquilo pelo qual nos preparamos e ao mesmo tempo boicotamos, em função de nosso medo de ver refletido no espelho, não a nossa ideologia e sim nosso fiel reflexo.
Escrito por Antonio às 23h43
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |

Carlos Drummond
Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advêm das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que os fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: - Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.
Escrito por Antonio às 16h15
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |

 |
| |

Puxa! como é dificil recomeçar, pois, um novo começo, vem sempre cheio de medos e ranços e certo gosto de fracasso,mas tambem carrega uma carga enorme de esperança que nos faz dar o primeiro passo. Espero que agora neste novo espaço eu possa compartilhar um pouco de minhas opiniões (sutis ou nem tanto), a respeito da vida, amigos, amores, medos, relacionamentos, desejos e todos sentimentos afins.
Eu dedico este blog ao Paulo (Xu) meu amor, responsável por este recomeço e tantos outros.
Escrito por Antonio às 16h14
[]
[envie esta mensagem]
|
|
 |


|